Em abril, o mercado bateu recorde acreditando que a paz chegaria. A paz não chegou. O recorde, sim.
O Banco Central do Brasil nasceu três dias antes da virada de 1964, sob ditadura militar. Sua lei foi escrita por Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões, dois economistas formados em Chicago. A medida central foi criar a correção monetária — o mecanismo que oficializava a inflação como regra do jogo, em vez de combatê-la: dívidas, salários e contratos passaram a ser corrigidos automaticamente pela inflação. Quem tinha capital financeiro foi protegido. Quem só tinha salário, não. O modelo seguia o desenho do Federal Reserve americano: um banco central tecnicamente "autônomo", mas operando como engrenagem do sistema financeiro internacional. Nasceu para servir o império.
Hoje a engrenagem funciona assim. O governo gasta mais do que arrecada — em governos de esquerda e de direita, há décadas, sem exceção. Para cobrir a diferença, o Tesouro emite títulos de dívida. Quem compra são os bancos, fundos e seguradoras das famílias do sistema. A dívida pública brasileira soma R$ 8,6 trilhões. Em 2025, o governo pagou R$ 879,9 bilhões só de juros — mais do que saúde, educação e defesa somados.
Existe ainda uma camada mais discreta, chamada operações compromissadas. Toda noite, quando o pregão fecha, o Banco Central pega emprestado o caixa que sobrou nos bancos, devolve na manhã seguinte e paga Selic cheia pelo aluguel — agora 14,50% ao ano. Hoje são R$ 2,86 trilhões rolando assim, todo dia. Quem tem caixa empresta para o BC e recebe Selic. Quem só tem salário paga inflação no supermercado e imposto no contracheque. É a transferência diária de quem trabalha para quem empresta. E quando se trata de imposto, a assimetria se completa: em 2025 o governo aprovou uma lei taxando em 10% os dividendos acima de R$ 50 mil mensais, com exceção dos bancos. Os mais ricos seguem fora do alcance — sonegam pelo paraíso fiscal, fecham acordos bilionários numa Justiça onde os ministros do topo foram indicados por políticos financiados pelo próprio império, e contratam os escritórios dos parentes desses ministros para defendê-los. A inflação não escolhe CPF, mas a engrenagem, sim.
Em 29 de abril, o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto, de 14,75% para 14,50% ao ano — decisão unânime, segundo corte seguido. O Copom decidiu com 6 dos 9 integrantes. Duas cadeiras estão vagas desde dezembro de 2025, à espera de sabatina dos indicados de Lula no Senado. Foi a terceira reunião seguida com quórum reduzido. O IPCA-15 de abril veio em 4,37% em 12 meses (acelerando frente aos 3,9% de março) e o Focus já projeta 4,86% para 2026 — acima do teto da meta. O Banco Central cortou os juros num dia em que a inflação acelerava. Galípolo está numa armadilha clássica: indicado pelo governo que depende do crédito barato para sobreviver fiscalmente, decide com diretoria desfalcada, vê a inflação subindo, o petróleo acima de US$ 100, o fiscal piorando — e ainda assim corta. Cada decisão dele é uma escolha entre perder credibilidade técnica ou perder o cargo.
O sistema funcionou exatamente como foi desenhado, para quem foi desenhado.
Em 1694, o rei William III precisava financiar a guerra contra a França e não conseguia arrecadar com impostos. Um grupo de banqueiros privados ofereceu o dinheiro a 8% de juro. Em troca, fundaram o Banco da Inglaterra — uma empresa privada, com o próprio rei e a rainha entre os acionistas, que ganhou o direito exclusivo de emitir notas de papel lastreadas na dívida do governo. Foi assim que nasceu o primeiro banco central moderno: como uma associação entre o Estado, que precisava de dinheiro para fazer guerra, e os banqueiros, que cobravam juros para emprestá-lo. Em 1913, o modelo foi levado aos Estados Unidos numa reunião secreta na Ilha Jekyll. Os participantes: dois sócios do JP Morgan, um Rockefeller, um Warburg. Eles escreveram a lei que criou o Federal Reserve dois anos antes do Congresso aprová-la.
Em 1944, em Bretton Woods, o dólar foi declarado a moeda do mundo. Em 1971, Nixon tirou o lastro do ouro: o dólar virou papel. Em 1974, Kissinger fechou o acordo do petrodólar com a Arábia Saudita — petróleo só em dólar, em troca de proteção militar. A partir daí o governo americano podia emitir quanto papel quisesse, porque o resto do mundo era obrigado a aceitá-lo. Hoje o estrangeiro detém US$ 9,3 trilhões em Treasuries, e o Japão — maior credor com US$ 1,2 tri — começou a vender. Quem entrar no lugar do Japão vai exigir mais para comprar.
Em 29 de abril, o Fed manteve juros entre 3,5% e 3,75% com uma fratura 8 a 4 — a maior dissidência desde 1992. O mandato de Powell como presidente do Fed se encerra em maio de 2026; Trump já sinalizou que indicará um sucessor de sua confiança. Um dia depois, o BCE manteve a taxa em 2,00% e Lagarde admitiu que o Conselho discutiu subir os juros, com inflação europeia em 3,0% e PMI em retração de 48,6 — estagflação confirmada. Galípolo e Lagarde se parecem mais do que a geografia sugere. Os dois são advogados sem doutorado em economia, indicados pelo circuito político e não pela carreira técnica. Os dois presidem em estagflação. E os dois, no fim, calibram juros olhando para Washington antes de olhar para o próprio mandato — porque a engrenagem montada em 1694 nunca foi desenhada para que decidissem.
Galípolo e Lagarde estão presos no mesmo trapézio desde 1694.
O mercado pediu paz três vezes — e três vezes a paz desmarcou. Pediu corte de juros e o Banco Central entregou o mínimo, sob pressão pública de Lula. Pediu o fim da guerra e Trump sugeriu retomar ações militares contra o Irã. Pediu certeza do Fed e recebeu um voto dividido 8 a 4. Abril começou com Ibov a 192 mil e estrangeiro entrando em volume recorde. Tocou recorde histórico em 14 de abril (198.621 pontos). E terminou no zero a zero — fechou o mês a 187 mil pontos, com variação de apenas -0,08%.
O dólar caiu para a menor cotação em dois anos (R$ 4,95). O Brent tocou US$ 126 e voltou para US$ 114. A Selic caiu para 14,50% num dia em que a inflação acelerava para 4,37% em 12 meses. Quem comprou Brasil em janeiro ainda está no lucro — o Ibov sobe 16,26% no ano. Mas o mercado, o Banco Central, a guerra, o Supremo e Washington escreveram capítulos diferentes do mesmo mês. Nenhum deles escreve o roteiro.
Esta seção é onde a leitura do mês vira posição. Tudo o que veio antes — Brasil, Mundo, as notícias — alimenta as decisões que aparecem aqui. A seção se organiza em três camadas, lidas na sequência:
4a · O Tabuleiro. Quem controla o sistema. As famílias e os controladores que decidem antes do mercado reagir — porque já estão dentro do mercado, e do outro lado da informação. Listados com ticker, setor, variação no mês e market cap.
4b · Cenários. Os dois caminhos abertos para o próximo ciclo, traduzidos em quais classes de ativo ganham e quais perdem em cada um. Não é previsão — é mapa.
4c · Curadoria detalhada. Cada ativo da carteira de cada cenário, com a tese de uma frase. Sem pesos sugeridos: quem decide alocação é quem assina o cheque.
Quem manda. Quase nunca muda.
Os mesmos sobrenomes aparecem em cada edição. Controlar bancos, indústrias e mídias é trabalho de gerações — não de ciclos econômicos. Variação no mês de abril e market cap em dólar.
| Família / Controlador | Ticker | Setor | Var. abr | Mkt Cap |
|---|---|---|---|---|
| Brasil · 10 famílias | ||||
| Moreira Salles · Setúbal · Villela | ITUB4 | Bancos | -2,1% | ~95 bi |
| Aguiar · Brandão | BBDC4 | Bancos | -1,8% | ~41 bi |
| Safra | Banco Safra | Bancos | — | fechado |
| Esteves | BPAC11 | Bancos | +0,5% | ~17 bi |
| Lemann · Telles · Sicupira | ABEV3 | Consumo | +1,2% | ~45 bi |
| Batista | JBSS3 | Indústria | +3,8% | ~17 bi |
| Marinho | Globo | Mídia | — | fechado |
| Edir Macedo | Record · IURD | Mídia | — | fechado |
| Governo Federal | PETR4 · BBAS3 | Estatal | +8,4% · -1,5% | ~128 · 28 bi |
| Vélez | NU · NUBR33 | Fintech | +2,9% | ~90 bi |
| Mundo · 20 famílias | ||||
| Rothschild | Rothschild & Co | Bancos hist. | — | fechado |
| Rockefeller | Rockefeller Foundation | Bancos hist. | — | fechado |
| Wallenberg | INVE-B | Bancos hist. | -3,2% | ~42 bi |
| Agnelli–Elkann | EXO | Bancos hist. | -2,5% | ~24 bi |
| Larry Fink | BLK | Pivôs do dólar | +1,8% | ~165 bi |
| Jamie Dimon | JPM | Pivôs do dólar | +2,4% | ~800 bi |
| Warren Buffett | BRK.B | Pivôs do dólar | +3,1% | ~1,05 tri |
| Bill Gates · família | MSFT | Tech & IA | +5,2% | ~3,80 tri |
| Larry Page · Sergey Brin | GOOGL | Tech & IA | +8,6% | ~2,70 tri |
| Jeff Bezos | AMZN | Tech & IA | +6,4% | ~2,45 tri |
| Mark Zuckerberg | META | Tech & IA | +4,7% | ~1,92 tri |
| Elon Musk | TSLA | Tech & IA | -5,8% | ~1,12 tri |
| Jensen Huang | NVDA | Tech & IA | +7,3% | ~4,80 tri |
| Murdoch | NWSA | Mídia | -1,4% | ~18 bi |
| Roberts | CMCSA | Mídia | -2,8% | ~138 bi |
| Arnault · família | MC | Luxo europeu | -4,1% | ~320 bi |
| Bettencourt–Meyers | OR | Luxo europeu | -2,3% | ~215 bi |
| Casa Saud | Saudi Aramco | Energia | — | fechado |
| Lee · Lee Jae-yong | 005930 | Ásia | +1,9% | ~415 bi |
| Mukesh Ambani | RELIANCE | Ásia | +3,4% | ~220 bi |
Onde o mercado está. Onde os fundamentos estão.
O paradoxo de abril não se resolve — convive. O mercado está pintando um quadro melhor do que os fundamentos justificam, e isso tem sido lucrativo para quem comprou Brasil em janeiro. Ao mesmo tempo, a engrenagem por trás dos preços vem se desgastando: Banco Central com diretoria 100% indicada por Lula, governo gastando mais, Japão deixando de comprar dívida americana, Europa entrando em contração industrial. Os dois fatos coexistem.
O mercado celebrou em abril e tem motivo: estrangeiro voltou em peso, real abaixo de R$ 5, Ibov em recorde histórico. É uma janela aberta pelo dinheiro que entrou de fora, não por uma mudança no que faz o Brasil funcionar. A aposta de curto prazo é que essa janela continue aberta nos próximos seis a doze meses: Banco Central seguindo cortando juros, real estável ou se valorizando, bancos lucrando com o crédito reabrindo, fluxo estrangeiro continuando.
A ordem está se rompendo, mas devagar. O Banco Central tem diretoria 100% Lula e duas cadeiras vagas; o governo está gastando mais; o mercado já espera que a inflação suba e os juros voltem a subir junto; o Japão está deixando de comprar dívida americana; a Europa entrou em recessão industrial. Os números do mercado pintam um quadro melhor do que os fundamentos justificam. O Cenário 2 é a aposta de que a defasagem entre preço e fundamento se fecha — pelo lado do preço caindo, não pelo lado do fundamento melhorando.
| Cenário 1 — Janela tática | Cenário 2 — Armadilha estrutural | |
|---|---|---|
| Títulos do Tesouro | NTN-B 2035, NTN-F | LFT |
| Dívida americana | TLT (juros longos caindo) | TBT (juros longos subindo) |
| Ações Brasil | ITUB4, BBDC4, BBAS3, NU, ABEV3, JBSS3, WEGE3, RENT3, EWZ | PETR4, SUZB3 |
| Ações exterior | LLY, NVDA, MSFT, GOOGL | LMT, RTX, MUFG, SMFG, XOM, CVX, NEM, AEM |
| Moedas | Real (BRL) | Iene (FXY), Dólar (UUP) |
| Cripto | — | Bitcoin, Ethereum |
| Proteção | — | Ouro (GOLD11) |
| Derivativos | DI Jan/27 comprado, mini dólar vendido, call de Ibov | DI Jan/27 vendido, mini dólar comprado, put de Ibov |
| Ganha quando | Dinheiro de fora continua, juros caem, paz no Oriente Médio | BC perde credibilidade, governo gasta mais, Japão sai dos EUA |
| Perde quando | Fluxo reverte, BC para de cortar, petróleo volta a subir | Mercado segue acreditando, fundamentos demoram a chegar |
A leitura aplicada à carteira.
Selic é caixa nos dois cenários — base universal, não posição. As duas tabelas trazem o mesmo número de ativos, organizados por classe (títulos, ações, moedas, cripto, proteção e derivativos). Para cada peça em um cenário existe contrapartida no outro, porque quando um lado está ganhando o outro está perdendo. Não há pesos sugeridos: a alocação é responsabilidade de quem assina o cheque, não de quem escreve o relatório.
| Classe | Ativo | Ticker | Tese |
|---|---|---|---|
| Caixa · base universal | |||
| Caixa | Selic | SELIC | Dinheiro rendendo a Selic — agora 14,50% ao ano após o corte de 29/abr, descontados os custos. É a base de qualquer carteira nos dois cenários, não uma posição. |
| Classe | Ativo | Ticker | Tese |
|---|---|---|---|
| Títulos do Tesouro brasileiro | |||
| RF Brasil | NTN-B 2035 | IPCA + juro real | Título do Tesouro que paga inflação mais um juro real fixo até 2035. Quando o juro do mercado cai, o título antigo vira disputa: o seu vale mais. |
| RF Brasil | NTN-F | Pré-fixado | Você trava um juro nominal hoje e ganha se o juro do mercado cair daqui pra frente. Aposta direta na queda da Selic. |
| Dívida americana | |||
| RF Internacional | iShares 20+ Yr Treasury | TLT | ETF de títulos longos do governo americano. Ganha se o Fed cortar juros ou se o mundo correr para a segurança da dívida americana. |
| Ações Brasil | |||
| Bancos | Itaú Unibanco | ITUB4 | Coração do crédito brasileiro. Quando os juros caem, mais gente toma empréstimo e o Itaú lucra mais. |
| Bancos | Bradesco | BBDC4 | Mesmo motor que o Itaú, com preço relativamente mais barato. Segundo maior banco privado do país. |
| Bancos | Banco do Brasil | BBAS3 | Banco do agronegócio e do salário do funcionalismo. Paga dividendos altos e está negociado a preço barato. |
| Fintech | Nubank | NU · NUBR33 | Maior banco digital da América Latina. Cresce mais rápido quando o crédito reabre no ciclo de cortes. |
| Consumo | Ambev | ABEV3 | Defensiva clássica: vende cerveja e refrigerante em mais de dez países, com margens que aguentam ciclo ruim. |
| Indústria | JBS | JBSS3 | Vai listar ações também na bolsa de Nova York, o que pode destravar valor. Receita mundial em dólar. |
| Indústria | WEG | WEGE3 | Vende motores e equipamentos elétricos para o mundo inteiro. Gestão referência, receita em várias moedas. |
| Consumo | Localiza | RENT3 | Maior locadora de carros do país. Quando o crédito barateia, ela compra frota mais barato e o consumidor aluga mais. |
| Brasil | iShares MSCI Brazil | EWZ | ETF que estrangeiro usa para investir em Brasil de fora. Quando o dinheiro de fora entra, ele entra por aqui primeiro. |
| Ações exterior | |||
| Saúde | Eli Lilly | LLY | Dona dos remédios para obesidade Mounjaro e Zepbound — a classe dos "Ozempic". Crescimento que independe de ciclo econômico. |
| Tech | Nvidia | NVDA | Líder absoluta dos chips que treinam Inteligência Artificial. Quando os juros americanos caem, ações de tecnologia ficam mais valiosas. |
| Tech | Microsoft | MSFT | Dona do Windows, do Office e da nuvem Azure. Receita recorrente vinda de empresas do mundo inteiro — defensiva e crescimento ao mesmo tempo. |
| Tech | Alphabet | GOOGL | Dona do Google, do YouTube e do Android. Lucro que sobra mesmo em ano ruim; gera caixa em escala difícil de comparar. |
| Moedas | |||
| Câmbio | Real | BRL | A Selic alta paga você pra esperar segurando real, e o dinheiro de fora empurra a moeda para baixo de R$ 5. |
| Derivativos | |||
| Juros | DI Jan/2027 comprado | DI F27 | Contrato que aposta na Selic estar abaixo de 12% no fim de 2026. Forma alavancada de apostar na queda dos juros. |
| Câmbio | Mini dólar vendido | WDOFUT | Contrato pequeno de dólar futuro, vendido. Aposta no real seguindo abaixo de R$ 5 enquanto a Selic estiver alta. |
| Alavancagem | Call de Ibov | IBOV CALL | Opção barata de compra do índice. Custa pouco, perde tudo se nada acontecer, mas se o rali continuar paga muito. |
| Classe | Ativo | Ticker | Tese |
|---|---|---|---|
| Títulos do Tesouro brasileiro | |||
| RF Brasil | LFT | Selic curta | Título do Tesouro que paga a Selic do dia, sem oscilar. É caixa em forma de papel — você foge das oscilações da curva longa quando o juro volta a subir. |
| Dívida americana | |||
| RF Internacional | ProShares UltraShort 20+ Yr | TBT | ETF que aposta CONTRA os títulos longos do governo americano. Sobe quando o juro longo dos EUA sobe — déficit fiscal alto, Japão deixando de comprar. |
| Ações Brasil | |||
| Energia | Petrobras | PETR4 | Brent acima de US$ 100 e dividendos que pagam mais de 12% ao ano. Hedge contra guerra que ainda paga gordo enquanto você espera. |
| Exportadora | Suzano | SUZB3 | Maior produtora de celulose do mundo. Vende toda a produção em dólar — quando o real desvaloriza, ela ganha automaticamente. |
| Ações exterior | |||
| Defesa | Lockheed Martin | LMT | Maior fabricante de armas dos EUA. O Pentágono já gastou metade do estoque de mísseis na guerra do Irã — a reposição é receita garantida. |
| Defesa | RTX (Raytheon) | RTX | A outra grande fabricante americana de mísseis e radares. Mesma história da Lockheed, segunda aposta no setor de defesa. |
| Bancos Japão | Mitsubishi UFJ | MUFG | Maior banco do Japão. Quando o Banco do Japão sobe os juros locais (e está subindo, depois de quase 30 anos), os bancos japoneses ganham margem. |
| Bancos Japão | Sumitomo Mitsui | SMFG | Mesma história, segundo maior banco japonês. Diversificação dentro do mesmo movimento. |
| Energia | ExxonMobil | XOM | Maior petroleira americana. Energia tradicional ganha quando a tensão geopolítica mantém o petróleo entre US$ 90 e US$ 110. |
| Energia | Chevron | CVX | A segunda grande petroleira americana. Mesmo trade da Exxon, com histórico de pagamento de dividendos ainda mais consistente. |
| Ouro | Newmont | NEM | Maior mineradora de ouro do mundo. Quando o ouro sobe, ela amplifica o movimento — sobe duas a três vezes mais que o metal. |
| Ouro | Agnico Eagle | AEM | Segunda maior mineradora de ouro. Mesmo trade da Newmont para diluir risco da escolha de uma única empresa. |
| Moedas | |||
| Câmbio | Iene japonês | FXY | O Banco do Japão está subindo os juros pela primeira vez em uma geração. O iene vinha caindo há anos por isso — agora começa a se recuperar. |
| Câmbio | ETF de dólar forte | UUP | ETF que sobe quando o dólar fortalece contra as principais moedas. É a fuga clássica para a moeda americana quando o medo aumenta no mundo. |
| Cripto | |||
| Cripto | Bitcoin | BTC | Reserva digital de valor. Quando o sistema fiscal de algum país grande começa a tremer, parte do dinheiro foge para o Bitcoin. |
| Cripto | Ethereum | ETH | Segunda maior cripto, dona da infraestrutura usada pela maioria das moedas digitais. ETF aprovado em 2024 abriu caminho para investidor institucional. |
| Proteção | |||
| Ouro | Ouro ETF | GOLD11 | ETF brasileiro que segue o preço do ouro. Quando os bancos centrais perdem credibilidade, o ouro brilha — sempre foi assim. |
| Derivativos | |||
| Juros | DI Jan/2027 vendido | DI F27 | Contrato que aposta na Selic estar acima de 13% no fim de 2026. Ganha se o governo gastar demais e o mercado obrigar o BC a subir os juros. |
| Câmbio | Mini dólar comprado | WDOFUT | Contrato pequeno de dólar futuro, comprado. Aposta no dólar voltando para acima de R$ 5,30 — proteção cambial direta e líquida. |
| Hedge | Put de Ibov | IBOV PUT | Opção barata de venda do índice. Funciona como um seguro: você paga pouco e, se a bolsa cair feio, ela compensa. |
O Cenário 1 é onde o mercado está. O Cenário 2 é onde os fundamentos estão. Quem mistura os dois não está hedgeando — está reconhecendo que ambos estão acontecendo ao mesmo tempo.
Este relatório não foi escrito por um departamento de research. Foi escrito por uma pessoa que administra patrimônio, estuda geopolítica e acredita que o investidor merece mais do que uma tabela de projeções.
Meu trabalho é conectar o que acontece nos bastidores do poder ao que acontece com o seu dinheiro. Cada cliente tem uma história, um patrimônio e um nível de complexidade diferente. Meu trabalho é entender os três e resolver — independentemente do que for.
O Thelema é publicado todo dia 1º.
Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.