Thelema · Edição 01 · Março 2026

Março: a guerra que você viu, o sistema que você não viu, e a ruptura que ninguém quer discutir

Seu dinheiro. Sua lente.

Ibovespa
-0,70%
188.787 → 187.462
Brent
+60%
US$ 70 → US$ 112
UST 2Y
+53 bps
3,38% → 3,91%
USD/BRL
+0,87%
R$ 5,13 → R$ 5,18
Seção 1

Brasil: como pensamos o sistema

O mercado financeiro brasileiro opera com uma assimetria de informação estrutural. Os relatórios de research que circulam entre investidores cobrem dados macroeconômicos, projeções de câmbio e juros, e análises setoriais. O que não cobrem — por conflito de interesse ou por limitação de escopo — é a camada institucional que condiciona esses mesmos dados. A decisão do Copom não é apenas técnica: responde a pressões fiscais de um governo que precisa de economia aquecida em ano eleitoral. O preço da Petrobras não reflete apenas o Brent: reflete uma política deliberada de absorção de choque via estatal para conter inflação de combustíveis. A cobertura de escândalos financeiros pela grande mídia não é apenas editorial: os próprios grupos de comunicação recebem patrocínio das instituições investigadas. Este relatório existe para cobrir essa camada. Cada afirmação é rastreável a fontes públicas, documentos judiciais ou dados de mercado. A diferença é que aqui os pontos são conectados.

A estrutura de poder no Brasil é concentrada e identificável. Aproximadamente dez grupos familiares controlam, há gerações, os principais conglomerados financeiros, industriais e de mídia do país — Setúbal, Moreira Salles, Safra, Ermírio de Moraes, Lemann, Batista, Steinbruch, Feffer, Ometto, Marinho. Todos operam via empresas listadas na B3, e suas posições serão detalhadas na seção de ativos deste relatório. Esses grupos mantêm participações cruzadas em conselhos, escritórios e fundações que funcionam como infraestrutura de coordenação. O Judiciário opera dentro dessa estrutura: ministros do STF e seus familiares mantêm vínculos empresariais e advocatícios que criam zonas de conflito de interesse documentadas. O Congresso funciona como camada de intermediação — e aqui é preciso abandonar a ilusão de que existe esquerda e direita no Brasil. Não existe Lula versus Bolsonaro. Existem pessoas alinhadas com os interesses das famílias que financiam suas campanhas. O centrão não tem ideologia — tem preço. Haddad sai, Durigan entra. Bolsonaro cai, Flávio sobe. O motorista troca, o carro continua. E o crime organizado, longe de ser uma externalidade, já opera dentro do sistema financeiro formal — via fintechs, fundos de investimento e setores da economia real. Não são mundos paralelos. São camadas do mesmo sistema.

Até o Banco Central, cuja independência formal foi conquistada em 2021, opera sob influência direta dessa rede. A política monetária pode ser conduzida tecnicamente, mas o ambiente institucional em que ela opera não é neutro: indicações do colegiado passam pelo crivo presidencial, mandatos vagos limitam decisões, e diretores transitam entre setor público e privado em ciclos curtos. Este relatório mapeia esse ambiente e traduz suas implicações em posicionamento de portfólio. Todo mês: o que aconteceu, quem se beneficiou, e o que fazer com o seu capital.

Seção 2

Mundo: o sistema global e suas forças

O sistema de concentração de poder descrito na seção anterior não é exclusividade brasileira — é padrão global, com alavancas maiores. Os Estados Unidos operam sob a mesma lógica: famílias e conglomerados que acumulam poder há gerações, financiam campanhas, controlam mídia e moldam política externa. Rothschild, Rockefeller, Koch, Murdoch, Walton, Mars, Cargill. Instituições como JPMorgan, Goldman Sachs e BlackRock não participam do mercado — são o mercado. E o mecanismo de influência, assim como no Brasil, não é formal: é relacional. O caso Epstein expôs como funciona na prática — um operador com acesso documentado a bilionários, políticos e CEOs, usando redes pessoais como infraestrutura de poder. Não é exceção: é como o sistema opera quando as portas estão fechadas. As empresas ligadas a essas famílias e seus resultados serão detalhados na seção de ativos.

A diferença estrutural entre o sistema americano e o brasileiro é que nos EUA existe disrupção real. No Brasil, nenhuma família nova entrou no topo em 50 anos. Nos EUA, em uma geração, outsiders racharam o sistema: Musk, Bezos, Zuckerberg. Não pediram permissão — construíram plataformas que tornaram o establishment parcialmente obsoleto. Musk comprou a rede social que a elite usava para se comunicar e a transformou em arma política. Bezos comprou o jornal que fiscaliza Washington. Zuckerberg controla a infraestrutura de comunicação de 3 bilhões de pessoas, incluindo o WhatsApp — onde a política brasileira realmente acontece. Essa camada de poder tecnológico não tem equivalente no Brasil, e é a maior diferença entre os dois sistemas.

Trump é a expressão política dessa ruptura — e o establishment está se posicionando para removê-lo. Trump não é anti-elite; representa uma facção do capital americano que discorda de como o sistema vinha sendo gerido. A resistência a ele não é ideológica — é econômica. E agora tem prazo. As eleições parlamentares americanas de novembro de 2026 se aproximam, e as projeções indicam que o Partido Republicano pode perder o controle de uma ou ambas as casas do Congresso — especialmente se a guerra no Irã continuar impopular e a economia se deteriorar. Se os democratas retomarem a maioria, o impeachment deixa de ser possibilidade e vira probabilidade. Não por justiça — por cálculo político. É o equivalente americano do que Moraes faz no Brasil: usar o arcabouço institucional para neutralizar uma ameaça ao sistema vigente. Trump sabe disso. É por isso que precisa encerrar a guerra antes de novembro — não por estratégia militar, mas por sobrevivência política. O investidor precisa entender que um impeachment de Trump não é cenário extremo — é cenário base se a guerra durar mais seis meses. E isso é precificável: significa reversão de tarifas, retorno ao multilateralismo, e possivelmente uma política fiscal mais restritiva. Ativos que subiram com Trump cairiam. Ativos que caíram com Trump subiriam. Essa assimetria será detalhada na seção de ativos.

A guerra no Irã é onde todos esses interesses convergem e colidem. Israel busca consolidar-se como potência dominante no Oriente Médio, usando o aparato militar americano para eliminar a ameaça iraniana numa janela que pode não se repetir. Trump quer resolver rápido e declarar vitória. Mas guerras aéreas não destroem regimes, e invasão terrestre é politicamente impossível. O paradoxo é que o Irã pode estar ganhando: o bloqueio de Ormuz lhe dá poder de barganha sobre a economia global, as sanções parcialmente suspensas permitem que venda petróleo, e se os EUA recuarem, o Irã sai mais forte. A aposta de Israel no longo prazo não é apenas militar — é tecnológica e demográfica. Enquanto Europa, Japão e Coreia do Sul enfrentam colapso populacional, Israel mantém a maior taxa de fertilidade do mundo desenvolvido, lidera em inteligência artificial e cibersegurança, e usa a guerra atual como laboratório de aplicação militar de IA. Israel está se posicionando como a potência desproporcional das próximas décadas.

O resultado de tudo isso é estagflação global — tendência estrutural, não conjuntural. Os EUA já mostravam sinais antes da guerra: mercado de trabalho deteriorando, inflação resistente, fiscal expansionista. A Europa está pior. E o mercado de renda fixa americano já votou: não acredita na narrativa oficial, nem na paz com o Irã, nem na inflação transitória. Para o Brasil, isso significa um ambiente global onde crescer fica mais difícil e mais caro. O sistema doméstico é uma camada. O sistema global é outra. Quando as duas pressionam na mesma direção — como em março — o resultado é o que vimos no gráfico do Ibovespa. Os detalhes técnicos e as implicações para ativos entram na próxima seção.

Seção 3

O que aconteceu em março.
Cada evento. O ativo. O número.

Ato I · O Choque
28 Fevereiro
Guerra
EUA e Israel atacam o Irã. Maior operação militar americana desde o Iraque.
O mundo acorda em guerra. Ataques coordenados contra instalações nucleares e militares iranianas. O Estreito de Ormuz começa a ser bloqueado.
Brent
+15%
US$ 70 → US$ 85 em 24h
Ibov Futuro
-3%
After hours
3 Março · Terça
GuerraMercado
Primeiro pregão pós-guerra. Ormuz parcialmente minado.
Gap de baixa na abertura. Bancos, varejo e construção lideram perdas. Petrobras cai junto com o índice no primeiro momento — o mercado entende a dinâmica de estatal e precifica compressão de margem com governo segurando repasse. No acumulado do mês, porém, PETR4 terminaria como uma das maiores altas (+23%), provando que com Brent a US$ 112, até margem comprimida gera lucro. Para exposição a petróleo no Brasil, PRIO é a escolha limpa — repassa preço, sem interferência estatal.
Ibovespa
-3,0%
DI Jan/27
+30 bps
4–5 Março
InstitucionalGuerra
Vorcaro preso pela 2ª vez. Celular revela mensagens com ministros do STF.
André Mendonça decreta nova prisão. As mensagens vazam: jantares, encontros em Campos do Jordão, reuniões com o presidente da Câmara. IEA declara: crise pior que os choques dos anos 1970.
Ibov Semana
-5%
Acumulado
Brent
US$ 92
6 Março · Sexta
Dado-chave
Payroll EUA: -92 mil empregos.
Pior resultado em 4 meses. Expectativa era +59 mil. Estagflação entra oficialmente no vocabulário do mercado.
NFP
-92K
Esperado: +59K
10 Março · Terça
Alívio
Trump: "o fim da guerra está próximo." Irã desmente.
Primeiro rally de alívio. E o início do padrão do mês: Trump promete → mercado sobe → Irã desmente → mercado cai. A cada vez, menor.
Ibovespa
+1,4%
Brent
~US$ 88
12–13 Março
GuerraPolítico
O vale do mês. Ibov toca 176.219.
Ormuz 94% bloqueado. Israel ataca Isfahan. Irã retalia. Brent supera US$ 100. Bolsonaro internado com pneumonia. Queda de 8,5% desde a máxima de fevereiro.
Ibovespa
176.219
Mínima do mês
Brent
US$ 104
Ato II · Reorganização
18 Março · Quarta
CopomFed
Copom corta Selic para 14,75%. Fed mantém juros em 3,50-3,75%. Mesma data, sinais opostos.
No Brasil, primeiro corte desde maio de 2024. Comunicado hawkish: sem guidance para maio, tudo condicionado à guerra. Nos EUA, Fed mantém juros e sinaliza apenas 1 corte em 2026. Powell diz que expectativas de inflação estão ancoradas apesar do choque de petróleo. O mundo corta e o Fed segura — a divergência comprime o carry trade.
Selic
14,75%
-0,25 pp
DIs
-15 bps
19 Março · Quinta
InstitucionalBCE
Vorcaro assina delação. Haddad sai da Fazenda. BCE pausa cortes. Três terremotos no mesmo dia.
O banqueiro inicia colaboração premiada — pode citar 15 parlamentares. Haddad anuncia pré-candidatura ao governo de SP. Durigan assume. Na Europa, o BCE pausa os cortes de juros, revisa inflação para cima e corta projeção de crescimento para 0,9%. A mesma armadilha do Fed: não pode cortar porque a inflação sobe, não pode subir porque a economia fraqueja.
Ibovespa
~183.500
BCE PIB 2026
0,9%
Revisado para baixo
20 Março · Sexta
Treasuries
Treasury 2Y fura acima da Fed Funds Rate. Primeira vez desde novembro de 2023.
Curva desinverte pela razão errada: inflação, não crescimento. Em 20 dias, de precificar 1 corte para 1 alta do Fed.
UST 2Y
3,91%
+53 bps no mês
Ato III · Montanha-Russa
22 Março · Domingo
Escalada
"Reabra Ormuz em 48 horas ou destruímos suas usinas."
Trump dá ultimato. Irã ameaça retaliação total. Brent dispara para US$ 114 no after-hours.
Brent
$114
Máxima do conflito
23 Março · Segunda
Trégua
Trump recua. Trégua de 5 dias. Ibov dispara.
"Conversas produtivas" em all-caps no Truth Social. Irã nega. Não importa — maior alta do ano. Volume de R$ 32 bilhões.
Ibovespa
+3,24%
Maior alta do ano
Brent
-10%
$114 → $96
Dólar
R$ 5,24
-1,29%
24 Março · Terça
PMIInstitucional
PMI da Eurozona soa alarme de estagflação. Moraes concede domiciliar a Bolsonaro.
Flash PMI Composite da Eurozona cai para 50.5 — menor em 10 meses, quase estagnação. Custos de input na manufatura europeia sobem no maior salto já registrado. França entra em contração (48.3). S&P Global declara: "O BCE não está mais numa posição confortável. O risco de estagflação é claro e crescente." No Brasil, ata do Copom hawkish. Moraes concede domiciliar de Bolsonaro — 5 dias após delação de Vorcaro.
PMI Eurozona
50.5
Quase estagnação
PMI França
48.3
Contração
Ibovespa
+0,32%
25 Março · Quarta
Alívio
Plano de 15 pontos para o Irã. Rally menor.
+1,60% vs +3,24% na segunda. Fadiga de promessas confirmada.
Ibovespa
+1,60%
→ 185.424
Padrão de fadiga

23/mar: +3,24% · 25/mar: +1,60% · 26/mar: ~0%. Cada promessa gera rally menor.

26 Março · Quinta
IPCAGuerra
IPCA-15 surpreende. Tangsiri morto. Trégua estendida.
IPCA-15: 0,44% acima do esperado. RPM (Relatório de Política Monetária do BC) revisa IPCA 2026 para 3,9%. Israel mata o comandante naval de Ormuz. Trump estende trégua até 6 de abril.
Ibovespa
-1,45%
IPCA-15
0,44%
Brent
+5%
→ US$ 106
30 Março · Segunda
FocusGuerra
Focus piora tudo. Trump ameaça Ilha de Kharg. Galípolo: "BC é transatlântico, não jet-ski."
Focus revisa IPCA 2026 de 4,17% para 4,31%. IGP-M salta para +0,52% após -0,73% em fevereiro — o petróleo chegou nos preços ao produtor. Trump diz que se acordo não vier, atacará a Ilha de Kharg.
IPCA Focus
4,31%
Antes: 4,17%
IGP-M
+0,52%
Antes: -0,73%
31 Março · Terça
RallyInstitucional
Ibov dispara +2,71%. Apenas 4 ações caem. Março fecha -0,70%, mas a narrativa muda.
Maior fechamento desde 2 de março — pré-guerra. ITUB4 +4,52%. VALE3 +3,75%. Dólar despenca 1,28% para R$ 5,179. Apenas Petrobras (-2,01%), PRIO (-8,17%) e MBRF caem — mercado rotaciona de energia para bancos, precificando paz. Caged: 255 mil vagas. CPI do Crime aprova quebra de sigilo do cunhado de Vorcaro. Caiado anuncia pré-candidatura à presidência.
Ibovespa
+2,71%
→ 187.462
Dólar
R$ 5,179
-1,28%
PRIO3
-8,17%
Paz = queda de petroleira
O que o último dia revelou

Quando o mercado rotaciona de energia para bancos num único pregão, está dizendo que acredita mais na paz do que na guerra. PRIO -8% é o preço da paz para quem apostou no caos. Março terminou negativo, mas o último dia reescreveu a narrativa de abril.

Saldo de Março
Ibovespa
-0,70%
188.787 → 187.462
Brent
+60%
US$ 70 → US$ 112
UST 2Y
+53 bps
3,38% → 3,91%
USD/BRL
+0,87%
R$ 5,13 → R$ 5,18

Promessa sem ação perde valor a cada repetição. O verdadeiro teste não é a próxima declaração de Trump — é o primeiro petroleiro que cruzar Ormuz. O Brent saiu de US$ 70 para US$ 112 em um mês — a maior alta desde a crise de 1973.

O Brasil importa 85% dos fertilizantes que usa. Ureia disparou mais de 50% desde o início do ano. O impacto sobre o agro vai aparecer no IPCA de alimentos do próximo trimestre.

A infraestrutura de energia do Golfo foi fisicamente danificada. O Kuwait estimou 3 a 4 meses para retomar produção plena. O choque de março não é temporário — é estrutural.

Os PMIs da Europa soaram o alarme de estagflação mais forte desde a invasão da Ucrânia em 2022. O salto nos custos de input na manufatura europeia foi o maior já registrado. O BCE está encurralado — não pode cortar e não pode subir. A mesma armadilha espera o Fed.

Seção 4

Curadoria de ativos

O mercado te vende uma carteira. Nós te damos cenários. Você decide em qual acredita.

As peças no tabuleiro — Brasil: Os Setúbal e Villela controlam o Itaú (ITUB4/ITSA4) — o coração do crédito. Os Safra operam o banco mais lucrativo e discreto do país. Os Lemann, Telles e Sicupira controlam a Ambev (ABEV3) e a 3G Capital — a máquina de eficiência que exportou gestão brasileira para o mundo. Os Batista controlam a JBS (JBSS3) — maior processadora de proteína do planeta, listagem dual na NYSE em andamento. Os Feffer controlam a Suzano (SUZB3) — maior produtora de celulose do mundo. Os Ometto controlam a Cosan (CSAN3) — Raízen, Rumo, Compass. Os Ermírio de Moraes controlam a Votorantim. Petrobras (PETR4) é do governo — e março mostrou as duas faces: subiu 23% com o Brent a US$ 112, mas no último dia caiu 2% quando o mercado precificou paz. É instrumento político, não empresa previsível. Os disruptores brasileiros que mudaram o sistema: XP (XPBR31) quebrou o monopólio dos bancões. Nubank (ROXO34) tirou 100 milhões de clientes das agências. Inter (INBR32), PagBank (PAGS34) e Stone (STOC31) disputam pagamentos e banking digital.

As peças no tabuleiro — Mundo: O establishment opera via JPMorgan (JPMC34), Goldman Sachs (GSGI34), BlackRock (BLAK34), Berkshire Hathaway (BERK34), Visa (VISA34), Walmart (WALM34), Procter & Gamble (PGCO34), Coca-Cola (COCA34), UnitedHealth (UNHH34) e Johnson & Johnson (JNJB34). Os disruptores: Nvidia (NVDC34), Microsoft (MSFT34), Alphabet (GOGL34), Amazon (AMZO34), Tesla (TSLA34), Meta (M1TA34), Equinix (EQIX34), Palantir e CrowdStrike. As que lucram com a guerra: RTX (antiga Raytheon, +110% em 12 meses), Lockheed Martin, Northrop Grumman ($90 bi em backlog), General Dynamics, L3Harris, BAE Systems (+23% desde o início da guerra), e Rheinmetall (+200% com a Europa rearmando).

Cenário 1: "A ordem se mantém"
Paz · Juros caem · Real valoriza · Wall Street clássico vence

Trump fecha acordo. Ormuz reabre. Brent volta para US$ 75-80. Copom retoma os cortes. Fluxo estrangeiro volta. Ibov retoma 190 mil. Caso Master absorvido. Trump sobrevive. IA sustenta. O sistema se preserva. O último dia de março (+2,71%) foi o aperitivo.

ClasseAtivoTickerTese
Renda Fixa
CaixaTesouro Selic 2029LFTCaixa seguro. Rende em qualquer cenário. Colchão de liquidez D+1.
RF BrasilTesouro IPCA+ 2035NTN-B 2035Aposta central. Se juros caírem, marcação a mercado pode render 15-20% em 12 meses.
RF BrasilTesouro IPCA+ 2029NTN-B 2029Proteção inflacionária com menor volatilidade de duration.
RF BrasilTesouro Prefixado 2029LTN 2029Aposta direcional pura na queda da Selic. Alto retorno se a paz vier.
RF InternacionalTreasury 10 anosUST 10YSe o Fed voltar a cortar, bond médio ganha marcação + proteção em dólar.
RF InternacionalTreasury 20+ anosBond longoMaior duration, maior ganho se juros americanos caírem. A aposta mais agressiva em RF.
Renda Variável Brasil
Bancos — SetúbalItaú UnibancoITUB4Coração do crédito. Juros caindo = crédito expandindo = Itaú lucrando. +4,52% só no último dia de março.
Bancos — EstatalBanco do BrasilBBAS3Banco do governo + agro. Dividendo alto. Desconto permanente por ser estatal.
Bancos — BTGBTG PactualBPAC11O banco dos novos ricos. Mercado aquecido = mais IPOs, mais captação, mais wealth management.
Consumo — LemannAmbevABEV3Não é só cerveja. É uma máquina de eficiência com receita diversificada em 18 países, bebidas não-alcoólicas em expansão, e margens que Buffett invejaria.
CommoditiesValeVALE3Se a paz vier, a China pode estimular para compensar a desaceleração global. Minério é a primeira commodity a reagir. Risco: China não estimula e minério lateraliza.
Disruptor BRXP IncXPBR31Mercado aquecido = mais captação, mais IPOs, mais receita. A plataforma que democratizou o acesso.
Renda Variável Internacional
Wall StreetJPMorganJPMC34225 anos. O banco dos bancos. Sobreviveu a tudo. É o sistema.
Wall StreetBlackRockBLAK34US$ 10 tri sob gestão. Vota na assembleia de quase toda empresa do mundo. O acionista invisível.
Wall StreetGoldman SachsGSGI34O banco que sussurra no ouvido do poder. Advisory, trading, wealth management.
Wall StreetBerkshire HathawayBERK34Buffett com US$ 300 bi em caixa. Investido nas melhores empresas americanas. Paciência como estratégia.
ConsumoWalmartWALM34Família Walton. US$ 260 bi em receita. O consumo americano numa ação.
ConsumoProcter & GamblePGCO34Produtos essenciais: Gillette, Pampers, Oral-B. Recessão-proof. O mundo pode cair — as pessoas continuam comprando.
ConsumoCoca-ColaCOCA34Buffett bebe 5 por dia. Marca global. Dividendo crescente há 60 anos consecutivos.
SaúdeJohnson & JohnsonJNJB34Farmacêutica + dispositivos médicos. Dividendo crescente há 62 anos. O porto seguro da saúde.
SaúdeUnitedHealthUNHH34O maior plano de saúde do mundo. O sistema de saúde americano numa ação.
PagamentosVisaVISA34Cada transação no mundo — digital ou física — passa pela Visa. Pedágio sobre a economia global.
Derivativos
AlavancagemCall de BOVA11Opções B3Se Ibov retomar 190 mil, a call multiplica o retorno com capital limitado.
AlavancagemCall de S&P 500SPY optionsSe Trump sobreviver e IA sustentar, S&P faz nova máxima. Risco limitado ao prêmio.
Hedge cambialPut de DólarOpções WDOSe a paz vier, dólar cai. Protege posições dolarizadas da carteira.
JurosDI Futuro vendidoDI1F27/28Aposta direta na queda dos juros brasileiros. A forma mais pura de expressar a tese.
Proteção
OuroOuro ETFGOLD11Seguro universal. Se tudo der errado, ouro é o que sobrevive.

Risco: se a guerra continuar e o Copom parar de cortar, bonds longos sofrem marcação negativa e bancos caem com DIs abrindo.

Cenário 2: "A ordem se rompe"
Guerra · Estagflação · Disruptores ganham · Dólar forte

Ormuz bloqueado. Brent US$ 95-110. Copom pausa. IPCA explode. Treasuries sobem. Delação avança. Trump perde midterms. A bolha de IA é testada — e os que sobrevivem dominam. PRIO -8% no último dia de março é o que acontece em reverso se a paz voltar.

ClasseAtivoTickerTese
Renda Fixa
CaixaTesouro Selic 2029LFTMesmo colchão. Aqui rende mais: Selic fica alta por mais tempo.
RF BrasilTesouro IPCA+ 2029NTN-B 2029Proteção contra inflação de alimentos que vem no 2º semestre. Duration curta — sem risco de marcação.
RF InternacionalTreasury 2 anosUST 2Y~4% ao ano em dólar com risco quase zero. Proteção cambial embutida.
RF InternacionalTreasury 3 mesesT-billO ativo mais seguro do planeta. Caixa em moeda forte.
RF InternacionalTreasury 5 anosUST 5YMeio-termo: rende mais que T-bill, menos volátil que bond longo.
Renda Variável Brasil
Exportadora — BatistaJBSJBSS3Maior processadora de proteína do mundo. Receita em dólar. Dólar forte = lucro recorde. Sobrevive a qualquer crise.
Exportadora — FefferSuzanoSUZB3Celulose em dólar. Demanda inelástica — embalagem não para na guerra.
Exportadora — TechWEGWEGE3A proxy brasileira de industrialização tech. Exportadora diversificada globalmente.
Energia — PrivadaPRIOPRIO3A petroleira que repassa o preço. Brent alto = margem alta. O oposto da Petrobras.
Energia — EstatalPetrobrasPETR4Posição tática sobre leitura do governo, não sobre o Brent. Subiu 23% em março, mas no dia 31 caiu 2% quando o mercado precificou paz. Imprevisível — o governo decide a margem, os dividendos e o CEO. Para petróleo limpo, PRIO.
Disruptor BRNubankROXO34O anti-Itaú. Se confiança nos bancões ruir, fluxo migra pro digital. XP elevou para compra.
Disruptor BRInterINBR32Super app financeiro. Banking + investimentos + shopping. A fintech que mais cresce no Brasil.
Disruptor BRPagBankPAGS34Pagamentos + banking para PMEs. Ganha com digitalização acelerada pela crise.
Renda Variável Internacional — IA e Tech
IA — ChipsNvidiaNVDC34Todo data center do mundo precisa dos chips dela. A infraestrutura da revolução.
IA — PlataformaAlphabet/GoogleGOGL34Busca, YouTube, Google Cloud, DeepMind, Waymo. Organiza a informação do mundo.
IA — EnterpriseMicrosoftMSFT34Azure + OpenAI + Office 365. Monetiza IA em escala. Receita recorrente.
Data CenterEquinixEQIX34Onde a IA roda fisicamente. Demanda por capacidade computacional explodindo.
DisruptorTeslaTSLA34Musk. Energia, autonomia, IA. A aposta de que o futuro é elétrico, não fóssil.
DisruptorAmazonAMZO34AWS + e-commerce + logística. Consumo que não depende de shopping.
DisruptorMetaM1TA343 bi de usuários. WhatsApp, Instagram. Onde a política e o consumo realmente acontecem.
IA — GovernoPalantirPLTR (conta int.)IA para governo, defesa e inteligência. O braço digital do Pentágono.
CibersegurançaCrowdStrikeCRWD (conta int.)Cada ataque cibernético gera demanda. Guerra = mais ataques = mais proteção.
CibersegurançaPalo Alto NetworksPANW (conta int.)Líder em firewall e segurança de rede. Quanto mais conflito, mais demanda.
Renda Variável Internacional — Defesa
Defesa — EUARTX (Raytheon)RTX (conta int.)Patriot, Tomahawk, AMRAAM. +110% em 12 meses. Cada míssil é receita.
Defesa — EUALockheed MartinLMT (conta int.)F-35, THAAD, PAC-3. Maior contrato de defesa da história assinado em janeiro.
Defesa — EUANorthrop GrummanNOC (conta int.)B-2, B-21 Raider. Backlog de US$ 90 bi. Stealth bombers são a arma desta guerra.
Defesa — EUAGeneral DynamicsGD (conta int.)Submarinos nucleares, tanques, Gulfstream. O complexo militar-industrial numa ação.
Defesa — EUAL3HarrisLHX (conta int.)Comunicação tática, vigilância, guerra eletrônica. A guerra moderna é digital — L3Harris equipa.
Defesa — EuropaBAE SystemsBA.L (conta int.)Gigante britânico. +23% desde o início da guerra. Europa rearmando.
Defesa — EuropaRheinmetallRHM.DE (conta int.)Munições e blindados. +200% em 12 meses. A Alemanha está rearmando pela primeira vez desde 1945.
Cripto
CriptoBitcoinBTCSaída de emergência digital. Criado como resposta à crise de 2008. Anti-sistema por natureza.
CriptoEthereumETHInfraestrutura da finança descentralizada. Se o sistema rachar, DeFi cresce.
Derivativos
HedgePut de BOVA11Opções B3Seguro contra queda do Ibov. Se a ordem ruir, a put paga. Se não, o prêmio é o custo do seguro.
HedgePut de S&P 500SPY putsSe impeachment se materializar ou bolha de IA estourar, S&P cai 15-20%. Risco limitado ao prêmio.
AlavancagemCall de DólarOpções WDOSe guerra continuar, dólar dispara. A call alavanca sem comprar dólar físico.
JurosDI Futuro compradoDI1F27Aposta na alta dos juros. Se Copom parar de cortar ou IPCA explodir, DI abre.
AlavancagemCall de OuroGLD optionsSe estagflação + crise institucional, ouro dispara. A call multiplica com capital limitado.
HedgePut de PETR4Opções B3Se paz vier, Brent desaba e Petrobras junto. Protege posição tática na estatal.
Proteção
OuroOuro ETFGOLD113.000 anos de reserva de valor. Se tudo falhar — bancos, moedas, governos — ouro sobrevive.
DólarDólar (conta int.)USDMoeda de reserva global. Em crise, o mundo corre para o dólar.

Risco: se a paz vier de surpresa, exportadoras e dólar caem, e quem ficou sem duration perde o rally de juros. PRIO -8% no dia 31 mostrou como é rápido.

O contraste

Cenário 1 — OrdemCenário 2 — Ruptura
RF BrasilNTN-B longas + PrefixadosSelic + NTN-B curtas
RF InternacionalTreasuries longosT-bills + Treasury curto
RV BrasilBancos, consumo, ValeExportadoras, energia, fintechs
RV InternacionalWall Street clássicoIA, data centers, defesa, ciber
CriptoNãoBTC + ETH
DerivativosCalls de BOVA11 e SPY, DI vendidoPuts de BOVA11 e SPY, DI comprado
ProteçãoOuro + put de dólarOuro + dólar + put de Ibov
Beneficia-se dePaz, juros caindo, real forteGuerra, juros altos, dólar forte
Risco principalGuerra continuaPaz vem de surpresa

Nenhum cenário está certo. Os dois são possíveis. Se não tem certeza — divida entre os dois. Quem pensou nos dois lados antes chega mais preparado do que quem não pensou em nenhum. A decisão é sua. Thelema.

Sobre o autor

Theo Falabella

Assessor de Investimentos · ANCORD

Este relatório não foi escrito por um departamento de research. Foi escrito por uma pessoa que administra patrimônio, estuda geopolítica e acredita que o investidor merece mais do que uma tabela de projeções.

Meu trabalho é conectar o que acontece nos bastidores do poder ao que acontece com o seu dinheiro. Cada cliente tem uma história, um patrimônio e um nível de complexidade diferente. Meu trabalho é entender os três e resolver — independentemente do que for.

O Thelema é publicado todo dia 1º.

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.